O ar está pesado, cada vez mais estranho e continua não sendo à toa.

Agora tem um carro pegando fogo, aqui na frente de casa.

Ontem um policial civil (sabe, daqueles que foram lá na cracolândia e tocaram o terror? então) disparou 5 tiros, feriu um cara e matou uma menina.

A versão oficial da polícia é que havia bandidos assaltando que atiraram primeiro. Mentira. Só houve cinco tiros disparados em seguida, ritmados, com o mesmíssimo som. Não houve tiro e revide. Foi o escroto que atirou porque sim. Cinco vezes seguidas.

A versão oficial da polícia é que um bandido saiu fugindo, na moto que estava usando para assaltar. Mentira. Os vizinhos dos andares mais altos viram a moto caída no chão, assim como o homem atingido, enquanto o policial civil falava no telefone e mandava os carros e pessoas passarem direto pelo local, sem parar.

A polícia militar demorou 20 minutos para chegar. Sendo que o batalhão fica a menos de 1km do local, e que não havai trânsito por ser de madrugada. O SAMU demorou mais 20 minutos.

Nunca aconteceu algo assim neste bairro e de maneira MUITO suspeita, no útlimo sábado alguns moradores e síndicos de condomínio organizaram uma “passeata pela segurança na região”.

Hoje o carro queimado, e ninguém se pronunciando sobre o que aconteceu. Escutei apenas um homem dizer que “se fosse eu também não deixava quieto”. Hoje de manhã reportaram um ônibus queimado em protesto pela morte da menina.

Dezessete anos. Ela tinha 17 anos, morreu com os tiros que me acordaram a poucos metros, um muro e muitas injustiças de distância.

Tem uma coisa bem estranha no ar, e não é à toa. Insisto.

Não sei o que é ainda. Mas que aí tem, isso tem.