Mataram um menino. Tinha arma de verdade.

unicamp 2013
Unicamp, em setembro de 2013

21 de setembro, 2013. Leio a notícia do assassinato de um estudante da Unicamp. Foi numa festa. Uma festa daquelas que passei 4 anos de minha vida frequentando e – ainda mais – organizando. Uma festa daquelas que me fizeram responder inquérito disciplinar na reitoria, no não tão longínquo ano de 2007, por fazer parte do Centro Acadêmico de Ciências Humanas. Uma festa que inaugurou um período em que fazíamos festas todos os dias como estratégia de não-violência na luta contra o posicionamento fascistóide da reitoria, comandada pelo excelentíssimo senhor reitor José Tadeu Jorge: o mesmo iluminado que na semana do assassinato de Denis Casagrande, seis anos mais tarde, tirou o corpo fora dizendo que a universidade não tem nada a ver com as festas.

Ora, a política da Unicamp, enquanto instituição, e também o reitor, têm tudo a ver com as festas e seus desdobramentos. Para entender isso, é preciso um pouco de contexto. Continuar lendo Mataram um menino. Tinha arma de verdade.

Está tudo tão estranho; não é à toa

[texto publicado originalmente no Medium, em Junho-2013]

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances de copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.

Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo. Continuar lendo Está tudo tão estranho; não é à toa