Nascer a primavera para não morrer

O lado lindo da instabilidade política é, afinal de contas, a fome de quem acabou de acordar.

Há quem esteja indignado com o nível de despolitização dos protestos em todos os locais do Brasil. No entanto, nada mais natural do que um protesto despolitizado se é a primeira vez que tanta gente vai às ruas. Se somos produto, enquanto nação, de uma história que tem sistematicamente afastado a população da política.

Ir às ruas, porém, é um fato político. Mesmo de maneira despolitizada, ir às ruas politiza. Dá experiência. Aproxima. A vivência da política nas ruas, somada às discussões na internet, lembra os recém-despertos que eles não precisam voltar a dormir mas que, se não ficarem de olhos bem abertos, a bem da verdade estarão sonâmbulos.

Este é um post, mais que de esquerda, muito otimista. Apesar dos pesares. Meu otimismo momentâneo vem da beleza de algumas mensagens que recebi nessa semana. Sem identificar remetentes, compartilho com vocês algumas coisas das mais belas que já li e em seguida respondo como posso ao anseio de politização que tem tomado conta de tantos brasileiros e de tantas brasileiras.

São as flores que começam a povoar essa nossa primavera. Continuar lendo Nascer a primavera para não morrer

Está tudo tão estranho; não é à toa

[texto publicado originalmente no Medium, em Junho-2013]

Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.

Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances de copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.

Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.

Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.

E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.

Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo. Continuar lendo Está tudo tão estranho; não é à toa