Mataram um menino. Tinha arma de verdade.

unicamp 2013
Unicamp, em setembro de 2013

21 de setembro, 2013. Leio a notícia do assassinato de um estudante da Unicamp. Foi numa festa. Uma festa daquelas que passei 4 anos de minha vida frequentando e – ainda mais – organizando. Uma festa daquelas que me fizeram responder inquérito disciplinar na reitoria, no não tão longínquo ano de 2007, por fazer parte do Centro Acadêmico de Ciências Humanas. Uma festa que inaugurou um período em que fazíamos festas todos os dias como estratégia de não-violência na luta contra o posicionamento fascistóide da reitoria, comandada pelo excelentíssimo senhor reitor José Tadeu Jorge: o mesmo iluminado que na semana do assassinato de Denis Casagrande, seis anos mais tarde, tirou o corpo fora dizendo que a universidade não tem nada a ver com as festas.

Ora, a política da Unicamp, enquanto instituição, e também o reitor, têm tudo a ver com as festas e seus desdobramentos. Para entender isso, é preciso um pouco de contexto. Continuar lendo Mataram um menino. Tinha arma de verdade.

Isto não é sobre perdão

Na semana que terminou, um dos blogues mais populares sobre feminismo publicou um texto um tanto polêmico. Em “Escreva, Lola, Escreva“, a autora deu espaço a uma carta de pedido de desculpas de alguém que diz ter estuprado várias mulheres. Nos comentários pessoais que a autora fez após a carta, porém, ela confundiu duas coisas: a reivindicação punitivista enquanto bandeira política e a reivindicação pessoal/individual de punição por parte das vítimas de violência sexual.  Instaurou-se, daí, uma grande discussão entre blogueiras, twitteiras e facebuqueiras feministas.

Como em todo caso em que não me sinto capaz de opinar, procurei ficar calada e ler as opiniões – em especial de algumas pessoas que considero possuírem posicionamentos sufificentemente complexos e geralmente alinhado com meus valores e bandeiras. Hoje cedo trombei, no Facebook, com este texto da Camilla Magalhães, que explica por A+B o que eu jamais poderia ter dito tão bem. A Camilla é professora de direito, e sempre faz ótimas reflexões sobre criminologia, direito penal e movimentos sociais. Recomendo segui-la, se interessar (no Twitter). Parte importante da explicação vem de um comentário da Hailey Kaas, outra pessoa que tenho a honra de seguir, ler, e que me ensinou demais a repensar meu próprio feminismo, e que também recomendo que vocês acompanhem, leiam, escutem (Facebook e Twitter).

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