grito fundamental

En la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras,
noches,
poemas

(Leminski)

 

lanço esta pedra
– camaradas futuros! –
fundamental
já lascada
polida
aponta a ponta e crava
na ferida

Fundo esta luta
– camardas eternos! –
classe a classe
que atiça o fogo
em catarse.
A chuva contralto
mezzo soprano
corrói aguda em ácido e molha
profano.

(Acre
com acre se combate
– companheiro; por acaso queres
um pouco de vinagre?)

Fumo esta pedra
– camaradas extintos! –
filosofal
já moída e dichavada
contorcida
bem bolada
nas folhas de meus livros militantes
ou nas fotografias em papel-jornal
queimadas às pressas
aos prantos
e sinto
aquilo que também canto.

Vos mando então, camaradas
à fogueira
às favas
ao que resta das palavras
este monolito:
meu eterno,
futuro,
e agora já extinto

grito.

 

 

* * *

[poema escrito para a coletânea “poemaço contra a copa”, organizada pelo querido Tomaz Amorim e disponível por inteiro a quem gosta de bons poemas aqui]

* * *

[a quem interessar possa: este poema é também um diálogo com meu eterno amor maiakovski, por este motivo]