ninfa

este meu corpo sou eu,
descoberta planície eu
relevo :

distante
me dobro

em terra sobro

sobre
relva.

sou água :
eu turva,
eu mato.
se escorro

morro
e vibro;
ato.

em canto
eu corpo
e a vagina orvalha.

gozo
um gozo :

navalha.

útero frio

volto ao escuro
torno ao útero frio
e tudo que eu era
antes esvazio

do alto do murro
que levo na face
mastigo lenta o cordão
que me sufoca

quase

recebo luz
recebo sal
recebo dor
recebo na pele pontadas
duras de calor

invento o velho
e vento o novo
fênix que eclode
livre
o próprio ovo

vipera aspis

você às quartas junkie
eu terças acordo menor
sonho úmido
sei de cor:

que subverta-me toda
submeta-me e foda
vidrada, áspide cresce dura
e cospe em minha boca
mistura amarga
veneno
tabu

sábado gozo
e domingo
no teu rosto
nu

escorro
ao comer começo
do meu cu e guio profano ao fundo
assim justo
porque ainda
cru

celebro meu ano
a cada gota que te guardo
feito joia
em meu copo
corpo

baú