Archives for julho 2015

time is never time at all

é duro mas também é belo. voluntariamente me jogar de um zepelim prateado sobre a lua. o frio na barriga sendo muito, abrir um guarda-chuva e atenuar a queda. encontrar meus demônios – uma longa batalha em que ora estou em vantagem, ora estou imóvel. enfim conseguir deixá-los para trás. em vez de tentar subir, descer. descer até o fundo mais fundo que se possa. o fundo que parece assustador mas é – enfim – belo. voltar um tantinho mais pra cima. jamais para terra firme. jamais estática. flutuo em um navio até, quem sabe, o próximo salto.


Time is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change the less you feel
Believe, believe in me, believe
That life can change, that you’re not stuck in vain
We’re not the same, we’re different tonight
Tonight, so bright
Tonight
And you know you’re never sure
But you’re sure you could be right
If you held yourself up to the light
And the embers never fade in your city by the lake
The place where you were born
Believe, believe in me, believe
In the resolute urgency of now
And if you believe there’s not a chance tonight
Tonight, so bright
Tonight
We’ll crucify the insincere tonight
We’ll make things right, we’ll feel it all tonight
We’ll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you, tonight

 

segundo exercício

planejo sobreviver com tempo.
mentira. sem tempo
sou o isso que planejo:

filosofar nos minutos de intervalo
entre a cama, o banheiro, o trabalho
namorar personagens, enredos, roteiro
quarto fechado, chorar no chuveiro
(degustar aquela siririca)
mas não só vejo o isso que planejo

vislumbro um tododia sem rotina
sem Dickinson presa em casa
sem Mrs Dalloway barganhando flores
sem Plath implorando pelo gás pelo
simples motivo de mulher-e-casa-:-
que-combinação-
insuportável

espero me deitar sobre as grandes coisas do mundo
sobre guerras e revoluções
sobre exércitos, cartas trocadas, amantes
descobertas sexuais infantes, distopias sérias
a mim resta cobrar de minha era
espiões russos imigrantes poloneses
uma gueixa no Japão
máquinas do tempo demônios espíritos
poetas

a mim sobrei eu mesma
e a minha era, ela mesma
e a minha cabeça, ela mesma
e o meu medo de acordar louca
o que planejo é morrer
outra

uma história emocionante
sem suicídio
ao final.


 

daí que a ana erre, amiga, ídala e poeta, está propondo exercícios de produção literária a cada sexta-feira. no primeiro, deveríamos pensar como desejamos escrever. daí que escrevi este poema. no segundo, a ideia era pegar o primeiro texto e substituir todos os verbos. falhei, como podem ver. mas até que deu. e como é difícil. no fim não gostei do poema, mas talvez já não gostasse dele antes. vai saber.